Fortalecer a luta das mulheres e dar mais visibilidade às causas femininas. Foi com esse objetivo que a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), promoveu, na manhã desta quinta-feira (08/03), ato político em alusão ao Dia Internacional da Mulher.

Artistas, lideranças políticas e de movimentos sociais se reuniram e se apresentaram na Praça do Ferreira. Diversos serviços foram ofertados ao público, desde orientação para vítimas de violência doméstica até a emissão de documentos e distribuição de preservativos. Para Natália Rios, titular da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres, o ato “é pela saúde da mulher, pelo fim da violência contra a mulher, pela igualdade de gênero, pela autonomia econômica, pela inserção nos espaços de decisão e, sobretudo, para lembrar que a nossa Coordenadoria está de braços abertos para acolher, ajudar e lutar junto para mudar a realidade que existe hoje no nosso país”.

No Brasil, as mulheres são maioria da população, ocupam mais espaço no mercado de trabalho e são responsáveis pelo sustento de 37,3% das famílias. Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, divulgada pelo IBGE em 2013, indicam que vivem no Brasil mais de 103,5 milhões de mulheres, o equivalente a 51,4% da população. “Eu recebi inúmeras mensagens, hoje, de pessoas que normalmente nem falam comigo no dia a dia. Acho que o dia de hoje é mais de luta do que de comemoração. Eu quero respeito e carinho dentro e fora de casa, todos os dias”, disse Liziane Alves, coordenadora de setor de relacionamento.

Entre os serviços oferecidos, servidores apresentavam o Centro de Referência da Mulher Francisca Clotilde, que, desde 2006, oferece assistência a mulheres vítimas de violência doméstica, familiar, sexual, institucional ou tráfico de mulheres, por meio de uma equipe de psicólogas, assistentes sociais e advogadas. “Temos uma equipe afinada e destemida que acolhe, encaminha e acompanha essa mulher ao longo de todo o processo e depois também, para que sejam cumpridas as medidas protetivas e elas não precisem voltar pra casa e encontrar o agressor”, destacou Natália Rios.

Em outra tenda, uma equipe trabalhava falando sobre os direitos das mulheres transexuais, especialmente no que diz respeito à decisão unânime do Supremo Tribunal Federal, que no dia 1º de março decidiu que transexuais e transgêneros, mesmo que não tenham feito cirurgia de mudança de sexo, alterem o nome no registro civil. “Eu ainda sinto medo de andar na rua, mas percebo que existem avanços significativos como o uso do nome social. Temos um longo trabalho pela frente e temos o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra como equipamento para lutar pelos inúmeros direitos que não nos são dados. Continuaremos lutando pelo fim do preconceito do sujeito e combatendo a violência contra nossa população através de atendimento social, psicológico e jurídico”, pontuou Dediane Souza, coordenadora executiva da política LGBT de Fortaleza.